Enquanto espero a boa vontade de um candidato (não vou falar o nome) para entrevistá-lo, dissertarei sobre a cidade que não dorme ou não dormia. Há umas três semanas, fui ao bar Juares (acho que é isso), em Moema, e fiquei impressionado com a mudança em São Paulo por causa da lei seca. A madruga estava fria, os bares vazios e silenciosos. Era possível, acredite, estacionar perto do bar e ainda escolher uma mesa para sentar-se (estamos falando de 11 horas da noite de sábado e de um dos bares mais movimentados da cidade), o que é uma coisa inédita em bares famosos.
Nas mesas, as pessoas tomavam refrigerante, sucos e jantavam. Bêbados, vi apenas uma mesa. Por acaso, os mais animados estavam sentados nela. Por volta das duas da manhã, fomos tomar um café, tamanho o “bode” daquele local. O café, na avenida Ibirapuera, estava simplesmente lotado (com pessoas que não queriam estar ali, pelo menos naquela hora). Ficamos numa mesa péssima, no fundo do recinto. Era a última mesa disponível.
Voltando. No bar, eu perguntei ao garçom se tinha caído o movimento por causa da lei seca. (Constatação óbvia, que eu estava vendo ali.) Ele respondeu que havia diminuído 50% da freguesia. Uma amiga minha, que trabalha na AmBev e estava comigo nesta noite, afirmou que as vendas também caíram e que fregueses dela (supervisora de vendas em Salvador, na Bahia) estão sofrendo queda de R$ 7,50 em clientes que gastavam R$ 10, por exemplo. Ou seja, este mesmo que gastava os dez reais, hoje gasta 2,50.
Indo para casa, passei a reparar no movimento das ruas da cidade. As marginais estavam vazias, como há tempos eu não via. As demais ruas idem. Cheguei em casa triste. Triste, pois sempre tive orgulho de morar em uma cidade que não dormia. Uma cidade que trabalha de dia e se diverte de noite. Mas feliz, pois muitos estavam deixando de morrer por causa da bebida.
Ps. Mais tarde eu coloco na integra a música que descreve o meu título. Será que você sabe qual é?
Apontes




