A partir de hoje vou tentar manter um quadro aqui no blog. O Bastidores da matéria. Nele, eu pretendo contar alguma curiosidade ocorrida durante a apuração de uma matéria ou até mesmo uma boa pergunta que ficou de fora do resultado final – isso acontece com uma certa frequência. Para a estreia, reservei uma das minhas matérias preferidas.
Eu estava pautado para fazer uma reportagem sobre a lei seca. “A fiscalização afrouxou?” Entrevistei algumas pessoas durante a apuração e uma delas me disse que não havia fiscalização em dias de chuva. Fiz esta pergunta para o tenente-coronel da Polícia Militar Emilio Panhoza, responsável pela fiscalização em São Paulo, e sua resposta foi que existe um bom-senso de não expor os motoristas em dias de chuva. Apertei ele e ouvi que de fato não havia operação nas chuvas. O subsecretário do governo do Rio de Janeiro me disse algo parecido. E ambos me confirmaram desconhecer alguma cidade que fazia operação durante a chuva.
Após uma discussão (no bom sentido da palavra) com o chefe de reportagem, chegamos a conclusão de escrever a matéria com este abre. Eu estava reticente em relação a isso, pois acreditava que estaríamos incentivando as pessoas a beber na chuva. Além disso, eu tinha números que mostravam que a fiscalização estava cada vez mais funcionando.
O resultado da matéria foi bem legal. Ela repercutiu bastante e hoje todos os estados fiscalizam na chuva. Ou seja, a matéria poderia ter feito com que motoristas passassem a beber na chuva. Mas, felizmente, fez com que os órgãos responsáveis passassem a fiscalizar. No dia que a matéria foi ao ar, o subsecretário me mandou um e-mail com pedido de resposta. O pedido foi negado pelo jurídico de VEJA, pois estava provado – em gravação – que não havia nenhuma mentira no texto. Hoje eu tenho uma boa relação com o subsecretário. É uma boa fonte minha quando o assunto é Lei Seca. A matéria você pode ler aqui.




